A EVOLUÇÃO DA REPRODUÇÃO

Travel, living and a little psychology

No 2º ano do primário as crianças aprendem que os seres vivos nascem, crescem, reproduzem e morrem. Hoje, ano de 2019 do século XXI, tudo está tão mudado, os seres humanos, que se diferem do restante do grupo dos seres vivos pela sua capacidade de racionalizar, estão constantemente tendo que lidar com alteração dos passos aprendidos durante o primário. 

Os bebês, devido à evolução da ciência e tecnologia, nascem prematuros e conseguem crescer fora do útero. As crianças em pouquíssimo tempo dominam a tecnologia, nem cresceram ainda e já estão se tornando pequenos adultos imaturos sem tempo para nada! Alimentos com quantidades excessivas de hormônios e o estímulo da sexualização infantil, entre outros, tem antecipado a menarca e consequentemente causado a menopausa precoce. O tempo parece voar! Muito conteúdo nas escolas e menos brincadeiras, à infância reduzida drasticamente na contramão do nível de exigências nas escolas! A priorização do trabalho em relação a família e, homens e mulheres planejando ter filhos cada vez mais tarde, são alguns dos motivos que levam ao crescimento da procura pelos tratamentos de fertilidade. 

“Você sabia que as mulheres já nascem com um estoque de óvulos para a sua vida fértil toda? É isso mesmo. E, quando chegam à menopausa, elas já perderam todo o seu estoque de óvulos e não engravidam mais naturalmente. Por volta da 16ª a 20ª semana de gestação, o feto feminino possui o número máximo de óvulos que terá durante a sua vida. Neste período, há ao redor de 6 a 7 milhões de óvulos. Depois, esse número começa a cair progressivamente. De acordo com o médico Daniel Zylbersztejn, especialista em reprodução humana da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), ao nascer a mulher já perdeu 80% da totalidade dos seus óvulos. (/www.terra.com.br/vida-e-estilo)

Façamos as contas: Uma menina, que nos anos 60, chegou a menarca com 16 anos de idade e teve o primeiro filho aos 24 e o segundo aos 26 anos, provavelmente começará a apresentar sintomas pré-menopausa por volta dos 40 anos, entretanto, uma menina nascida nos anos 2000, que chegou a menarca aos 10 anos de idade e planejará o primeiro filho para os 38 anos, provavelmente terá dificuldades e precisará recorrer a tratamentos de fertilidade. Neste segundo caso a menarca antecipada em 6 anos e os períodos férteis normais, sem pausa gestacional ou lactante, a menina dos anos 2000 chegará a menopausa em média 8 anos mais cedo que a menina dos anos 60, o que reduz o período fértil dos 40 para até 32 anos de idade.

Fertilização in vitro cresceu 168% nos últimos 7 anos no Brasil.” (Fonte: Revista Veja em 26 de julho de 2018.)

A idealização de que os 40 são os novos 30, maior expectativa de vida, nos faz acreditar que ainda temos tempo. Contudo, muita rede social e pouca relação interpessoal nos faz perder tempo. A preocupação com a estabilidade financeira e carreira faz desta geração de adultos solteiros, produtores independentes de filhos únicos que sofrerão com grandes expectativas dos pais e pouco apoio pela falta de irmãos e/ou primos e tios, das famílias que estão sendo reduzidas. Casa cheia, família reunida e crianças correndo. Cena comum no nosso cotidiano, que será cada vez mais rara, num futuro muito próximo.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), divulgada pelo IBGE, “a tendência é que o envelhecimento da população acelere, de tal forma que, em 2031 o número de idosos supere o de crianças e adolescentes de 0 a 14 anos no Brasil.” (A estimativa é do demógrafo Jose Eustáquio Alves, professor da Escola Nacional de Estatísticas do IBGE publicada em 05 de outubro de 2018.)

Lembram da definição de seres vivos? Pois é, o ser vivo racional de hoje, nasce, cresce mais rápido, tem uma expectativa de vida maior, não necessariamente irá se reproduzir e tem grande chance de morrer só! Quando penso em evolução, logo me vem a cabeça benefícios e vantagens do mundo moderno. Neste caso, qual será o futuro da humanidade se o aparelho reprodutor não parar de evoluir? Provavelmente, antes do séc. XXII as meninas já congelarão seus óvulos ainda na infância precoce, esperando o momento certo de ter filhos na sua “juventude” tardia!

Melissa Copatti F. de O. Roosevelt

Psicóloga Clínica Comportamental.

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